domingo, 15 de março de 2009

TERESINHAS - texto publicado no jornal ZH - 14/03/2009


TERESINHAS – GRUPO MEME
Angélica Bersch Boff
Porto Alegre, 06/03/2009
Vou começar pelo único problema, pois este foi o meu primeiro contato com o espetáculo. Trata-se do ponto inicial: o tema. E é um problema de percepção subjetiva – minha – e não do belo trabalho do Grupo Meme. Não gosto do tema “mulheres”. Além de super batido, me incomoda, me parece uma certa generalização muito rasa dividir o mundo em gêneros e, ainda, em dois gêneros. Por isto, e só por isto, o espetáculo já me incomoda. É preconceito meu, talvez...
Iniciou o espetáculo, e eu ali, chateada, desgostosa, principalmente porque os trabalhos do MEME sempre me tocaram muito. E positivamente. E a cada novo trabalho deles sou invadida por uma expectativa prazerosa nos dias que o precedem...
Com essa incomodação na minha casca – sem afetar o fruto – segui assistindo... sentindo... e pensando... e me vieram boas idéias sobre criações em cena... Talvez um dia falarei dessas idéias, talvez.
De repente, me vi tocada e emocionada com as minhas questões pessoais... particularmente com minhas questões de mulher, de namorada, profissional, amiga, filha e irmã. E com minhas questões de identidade. Chorei. Fui tomada de um arrepio, de uma fragilidade sobre minha vida diante daquele espetáculo.
Foi então que começaram a aflorar em minha mente as palavras para o Teresinhas. Parecido com a dança das bailarinas, minhas palavras podiam acompanhar seus movimentos, como se estivessem flutuando e dançando sobre o mover de seus braços. Aliás, descobri que as palavras dançam! – em minha mente. Elas dançam assim: delicadeza, mil vezes delicadeza. Sensibilidade... mas nada de emocionalismos e sensibilidades melosas. Trata-se de sentimentos e sensações verdadeiros e tocantes. Porque são apresentados com simplicidade e veracidade, assim como o são no dia-a-dia de todos nós. Uma sensibilidade profunda, mas simples.
O espetáculo Teresinhas fala muito com sua dança, mas são falas sem palavras, e sem significados precisos. Cala fundo, e fala todas as línguas. É subjetivo e tem várias margens, como toda a arte. Não precisa falar, precisa dançar.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Inquietações Improvisadas


Movida pelos últimos acontecimentos e pela música de Madredeus me pergunto incessantemente e quase sempre não encontro respostas. O workshop com o Márcio semana passada e o curso de Máscaras com Liane Venturela em janeiro provocaram tremores no meu eu-artista. Estar sempre em "abismo" para criar/viver faz sofrer, cria úlceras reais e no plano das emoções, feridas abertas que sangram porque ............... por que assim sou? Por que sofrer faz parte do meu processo de criação, do meu modo de viver? Como dar conta desse mundo que nunca pára sem se perder numa esquina qualquer ou ficar em casa remoendo os seus monstros, na total não-ação física?

Perdão... Peço perdão por tudo aquilo que almejei e não atingi... Por ter sido a aluna brilhante que não se transformou na médica dos sonhos do pai. Não tive 5 filhos nem moro na Europa. Mas peço respeito pela trajetória de artista/pessoa que construo todos os dias quando o escuro toma conta e tudo o que quero é criar uma nova página que seja autêntica e que deixe marcas de amor pela vida e pelas pessoas que co-habitam esse bizarro mundo em que vivemos.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Minha amada Minnie


Minnie Stein Staudt
It was a cold winter night, you came and lay down on my chest. I woke up and there you were, so warm and soft...
I didn't know but at that exact moment, you adopted me... It's been almost 3 years and I can't believe how important you have become in my life.
My sweety, thanks for all the love and affection, for the constant company, in the good and in the bad, until death tears us apart...
Mummy loves you!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Rosh Hashaná 2008






Se eu pudesse, eu arquivaria na minha memória todas as festas de Pessach e de Rosh Hashaná que comemorei ao lado da minha família. E se sobrasse espaço, eu arquivaria também os almoços de sábado na casa da Vó Saba que já não existem mais.

Se eu pudesse, eu ressuscitaria todos aqueles que já se foram mas que fizeram parte desta história: o vô Saul, a tia Dora, o Micha, a Helena... Eu traria de volta o tio Mário, a quem eu nem mesmo conheci. Fico imaginando a farra que seria com ele junto, sendo um Stein, devia ser muito divertido!

Se eu pudesse, eu iria ainda mais longe e na nossa mesa estariam a Babilala e o Zaide... E por que não o Nutke com a tia Eva, o tio Manoel com a tia Sofia e o Tio Calme com a Tia Maria? A Ilana ficaria feliz em sentar ao lado do vô dela! Eu traria os primos de terras distantes, da Argentina a Israel!

Se eu pudesse, eu juntaria todas as gerações, as passadas e as futuras, o meu filho que ainda nem nasceu com o meu vô que já faleceu... Eu cantaria para todos eles e no final da noite, o "monstro" viria para deixar os pequenos com dor de barriga de medo e os mais velhos com falta de ar de tanto rir.

Como não posso, eu agarro esses momentos com todas as minhas forças, eu olho para os olhos da vó Saba e eu me iludo que talvez eles sejam eternos... Que pelo menos ela nunca partirá...
Eu vivo e sobrevivo ao mar de memórias, sabendo que no fluxo da vida não existe pausa, mas existe sim explosões de alegria.

E essas nossas festas são para todos nós, um pedacinho de passado, presente e futuro de puro amor e muita diversão!

Shaná Tová do fundo do meu emocionado coração

domingo, 28 de setembro de 2008

Poetry..............











Sonet LXXXI - Pablo Neruda


And now you're mine. Rest with your dream in my dream.
Love and pain and work should all sleep now.
The night turns on its invisible wheels,
And you are pure beside me as a sleeping amber.


No one else, Love, will sleep in my dreams. You will go.
We will go together, over the waters of time.
No one else will travel through the shadows with me,
Only you, evergreen, ever sun, ever moon.

Your hands have already opened their delicate fists
And let their soft drifting signs drop away; your eyes closed like two gray
Wings, and I move

After, following the folding water you carry, that carries
Me away. The night, the world, the wind spin out their destiny.
Without you, I am your dream, only that, and that is all.










quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Gandhi, Elsa and Fred


I don't know where to begin... I watched two incredible movies between yesterday and today. My soul is still captured in the emotions provoked by them.

When I finished watching Gandhi, I was so overwhelmed by the intensity of his life and his message. It is a true story and yet I knew so few details about his life and his work as a political and spiritual leader. I always get fascinated by these great real-life heroes, who dedicate their lives for a cause, who can change the course of humanity, who can actually die for it. It makes me proud to be human. It makes me wonder how I can become a better person, more generous, more selfless, more in touch with the things that REALLY matter in life.

And then I come across Elsa and Fred, a Spanish movie from 2005 which had for years been one of my choices at the corner dvd store but for strange reason was always left behind... But as my friend Laco says "there are no coincidences". Perhaps this was the time for me to watch it. I have been so cynical about some things in life lately. By being cynical I don't mean that I am unhappy, no, not all. It means that after the "big 2005 crash" I'm still collecting the pieces of the damage. And I'll keep collecting them, one by one, for as long as it takes. Life is too damn good to be spent without making the most of it. And Elsa and Fred came to tell me that no matter how long it takes, our dreams can come true. maybe they won't be exactly as we dreamed of, maybe we won't be as young as we thought, but they can happen. A lovely movie... beautiful acting, it made me laugh and cry. Minnie - my cat - like it, too. We always watch movies together!

Gandhi was the true story of an amazing man. "An eye for an eye makes the world go blind"

Elsa and Fred is a fictional movie about people just like you and me. "Quién va a sospechar de un par de viejitos inofensivos?"


I strongly recommend them. Two thumbs up!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Teresinhas on the road




Saímos da capital e fomos rumo à serra gaúcha: Caxias do Sul. Minha mãe nasceu em Caxias... Eu já tinha ido umas duas vezes mas sempre visitas rápidas e mais pelos arredores da cidade. Foi quase como uma primeira visita.

Tão bom quanto viajar é viajar para dançar. Melhor ainda se esta viagem é ao lado de amigos e companheiros do dia-a-dia, meu queridos Meméticos. O que poderia ser uma viagem chata e conflituosa é nada mais nada menos do que uma grande diversão recheada com o prazer de dançar em outra cidade, em outros palcos.

Adoro chegar em cidades que conheço pouco. Cada imagem é nova e tem um sabor especial. Caxias tem vários morros e colinas. O ar estava bastante frio, o que combinava com a arquitetura de casas estilo "imigrantes italianos".

O teatro fica numa das quadras da praça central, perto da catedral. A praça tem um belo chafariz e no sabado havia uma feira de produtos variados.

Descarrega o ônibus, montagem de cenário, almoço, ida ao hotel. Ensaio de reconhecimento técnico, passagem de luz, aquecimento... engana-se quem pensa que basta um estalo de dedos e tudo já está pronto e montado para o espetáculo começar. Trabalho árduo e uma equipe de profissionais fazem a mágica acontecer, ou pelo menos abrem caminho para ela. E eu como artista-bailarina adoro participar de cada momento desta trajetória. Não sei se acharia graça só chegar, me aquecer e dançar. Botar a mão na massa dá a boa sensação de ser uma verdadeira "operária da arte."

E como boa e disciplinada operária, me esforço para cumprir o meu papel... Se bem que no quesito "comes e bebes" é às vezes dificil achar o auto-controle: quem resiste a um delicioso cardápio de comida italiana, recheado a vinho tinto e finalizado com uma taça de champagne???

Eu que não resisto, afinal, o que seria da vida sem um pouco de exagero gastronômico??

Dicas para Caxias: o Mc Café em frente ao teatro é um agradável local para tomar um café, ler revista, sentar e curtir o movimento da rua.

Restaurante Giusepe - comida tipicamente italiana, num ambiente refinado, com uma lareira que aquece até a alma!

Parque dos macaquinhos - tem uma escadaria que lembra o acesso ao Parque Guell em Barcelona. Tomamos um chimarrão sentados no sol no domingo de manhã. 10!

Que venha a próxima viagem Meme!

Bjs